Haikara

Finlandia

Titulo: Haikara
Ano de Lançamento: 1972
Gênero: Prog Sinf�nico
Gravadora: RCA
Número de catálogo:
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  Revisto por: Marcello Rothery Nota:8.0
P�rola obscura do progressivo finland�s dos anos 70, este disco era pouqu�ssimo conhecido at� mesmo entre o p�blico de m�sica progressiva na �poca, e mesmo na d�cada seguinte.

O lan�amento dos primeiros projetos da produtora Colossus, do mesmo pa�s, a partir dos anos 2000, � que come�ou a chamar a aten��o para a banda. J� no projeto inaugural, o cd duplo Tuonen Tytar 1, de 2001, possui m�sicas do Haikara interpretadas por outros artistas. Al�m da faixa de abertura do �lbum ser interpretada pela pr�pria banda, em uma nova vers�o bem diferente da original.

A isso se juntou os dois projetos seguintes da produtora, o sensacional Kalevala e o primeiro Spaghetti Epic, ambos de de 2004. Ambos, mais uma vez, tinham a faixa de abertura assinada pelo Haikara, o que despertou mais aten��o ainda para a banda. Que, nesta �poca, tinha uma forma��o j� completamente diferente da original, embora seguisse liderada pelo multi-instrumentista Vesa Lattunen.

Nesta altura, os primeiros discos da banda j� estavam novamente no mercado, agora em formato de CD. E talvez o melhor deles seja justamente este aqui, estr�ia da banda, auto intituado, lan�ado no distante ano de 1972.

A banda se apresentou com uma forma��o bastante original e interessante. Guitarras e teclados ficavam exclusivamente a cargo de Vesa Lattunen, que tamb�m fazia vocais de apoio. Junto a ele, seu xar� Vesa Lethinen nos vocais principais; Harri Psystynen na flauta e sax; Timo Vuorinen no baixo, e Markus Heikkero na bateria. Completam o time um convidado no violoncelo, dois nos trompetes e e mais dos nos trombones.

Mas mais do que isso, Lattunen era a mola mestra da banda: ele comp�s todas as melodias do disco, al�m de centralizar os arranjos. Lethinen fez todas as letras.

O disco apresenta, como a forma��o deixa como pista, um som bastante original. Dif�cil encontrar semelhan�a com qualquer medalh�o do progressivo aqui. A banda faz uma mistura muito pr�pria, bastante focada em jazz/prog, mas tamb�m com muitos momentos sinf�nicos. O flauta e o sax de Psystynen se destacam bastante, geralmente com o sax aparecendo nas partes com mais energia, e a flauta nos momentos mais mel�dicos (muitas vezes com o violoncelo acompanhando). Isto, junto aos demais sopros dos convidados, preenchem de forma impressionante o espa�o nos arranjos, deixando Lattunen � vontade para se revezar entre a guitarra e os teclados.

O disco abre com a interessante K�yh�n Pojan Kerj�ys, que chega a lembrar m�sica de circo, at� por alguns toques de humor nos vocais. Destaque para o sax e os demais sopros em alguns trechos, al�m da guitarra. Mas a coisa melhora bastente na segunda faixa, Luoja Kutsuu, que j� abre com flauta e violoncelo dando um toque mais sinf�nico, al�m da bela interpreta��o vocal de Lethinen. A m�sica intercala as passagens lentas com trechos mais acelerados onde os sopros aparecem novamente. Nos trechos lentos, ainda aparecem �rg�o e sinos, muito bem colocados junto do violoncelo e da flauta.

A terceira m�sica, que encerra o lado A do vinil, � o grande destaque: a sensacional Yksi Maa & Yksi Kansa, com seus quase 10 minutos! Os sopros introduzem a m�sica, seguidos pela melodia principal solada pelo violoncelo com flauta mais ao fundo, e a guitarra marcando. E entra a voz de Lethinen , em interpreta��o muito bela, mas curta. Pois o que vem a seguir a uma selvageria jazz�stica instrumental, com a guitarra marcando e os sopros acompanhando, seguidos por lindo solo de guitarra, talvez o mais belo de todo o disco! Recomendo ouvir bem alto! Vale a pena! Mas o show segue com interven��es dos trompetes e trombones, do sax, e de nova passagem mel�dica de flauta, antes de acelerar de novo com os sopros e a guitarra. � preciso destacar tamb�m o trabalho do baixo e da bateria, tamb�m brilhantes!

Um breve interl�dio, e ent�o volta a bela melodia inicial, de novo com violoncelo e flauta � frente. E volta o vocal, agora com todos os intrumentos, em um final apote�tico, com todos juntos: banda e convidados! Sem brincadeira: essa m�sica, sozinha, vale o pre�o do disco!

� exatamente essa a m�sica que a encarna��o mais recente da banda reinterpretou em 2001 na caixa Tuonen Tytar 1 da Colossus, mencionada mais acima. O arranjo l� � muito diferente, mais calmo. E tem um trecho novo no meio, com mais vocais. Eu, particularmente, acho esta vers�o original muito superior.

O lado B do vinil tem apenas 2 m�sicas: as longas J�lleen On Meid�n e Manala, ambas com mais de 10 minutos.

J�lleen On Meid�n � um jazz-rock mais pesado. Ela tem 2 baixos em alguns momentos (Lattunen toca o segundo). Os dois baixos, o sax de Psystynen e a guitarra do pr�prio Lattunen marcam a m�sica inteira, que n�o tem tantas varia��es de melodia como as duas anteriores. H� aqui tamb�m mais um longo solo de guitarra no meio da m�sica, com um trecho bem acelerado inclusive. Os m�sicos convidados n�o aparecem muito aqui, nem sei se chegam a participar. No final, temos uma esp�cie de jam session. Ainda merece destaque mais uma �tima presen�a do vocalista, que aqui aparece somente nos primeiros minutos da m�sica.

Manala, que encerra o disco, � outro grande momento do mesmo, e talvez a sua m�sica mais ligada ao sinf�nico. Come�a com uma delicada guitarra limpa e uma flauta (ainda h� um discreto viol�o ao fundo). Entra o baixo e a voz (aqui um pouco mais grave), al�m de pratos de bateria bem discretos. Ap�s os 3 minutos, os demais instrumentos entram, deixando a coisa um pouco mais acelerada, para depois ficar lenta novamente, com novo solo de guitarra. A partir dos 6 a coisa fica mais selvagem e jazz�stica, com o sax e a bateria entrando com for�a, al�m da voz com mais for�a. E fica at� o fim intercalando algumas pausas com a entrada da banda toda. Encerrando o disco com tudo em cima!

Haikara, o disco, � uma obra que recomendo a quem goste de progressivo em geral, mas principalmente a quem curte coisas mais jazz�sticas e menos convencionais. Os vocais s�o todos no idioma natal da banda, e tem gente que estranha isso. Eu acho que ficou �timo!

Essa forma��o da banda mudaria logo ap�s este primeiro disco, com a sa�da do vocalista Vesa Lethinen. No disco seguinte, Vesa Lattunen trouxe sua irm� para a banda, e com ela divide os vocais no disco, com mais protagonismo dele. Vesa Lethinen fez muita falta, isso � vis�vel ao longo do disco.

O terceiro disco teve nova mudan�a, com a vocalista saindo e outro vocalista se juntando � banda, e o som ficando mais pesado.

Quando a banda voltou em 1998, somente com Vesa Lattunen como membro original. A sonoridade mudou um pouco, mas ainda manteve a qualidade. Vesa Lattunen trouxe outra vocalista para a banda, e dividia os vocais com ela, al�m de continuar dando bastante espa�o para o sax.

As m�sicas que a banda produziu para os lan�amentos da Colossus prometiam novidades para o futuro. Mas o falecimento de Vesa Lattunen, logo ap�s os projetos Kalevala e Spaghetti Epic, p�s fim ao grupo, infelizmente. A banda preparava mais uma faixa para o segundo Spaghetti Epic quando Lattunen se foi.

Mas deixou o um belo legado. A come�ar por este brilhante disco aqui.