Rush - 2112 - Progbrasil

Rush

Canada
http://www.rush.com/




Titulo: 2112
Ano de Lançamento: 1976
Genero:
Label:
Numero de catalogo:

Revisto por Renato Glaessel em 09/03/10 Nota: 7.0

 

Bom, mas apenas para fãs ou admiradores do gênero

Já se passam mais de vinte e sete anos que ouvi esse disco pela primeira e o mais incrível é que o escuto com as mesmas percepções daquela época.
Foi um colega de cursinho que emprestou o vinil, estava detonadaço, mas valeu para gravar uma bela fita cassete que quase rasguei de tanto ouvir.
Aqui o Rush consagrou-se de uma vez, as vendas foram altíssimas, não sei se o Pentagrama da capa ajudou(a banda inclusive o adotou como símbolo), ou se o emblemático número 2112(igual de trás para a frente) criou algum tipo de expectativa, mas o fato é que o disco para mim não justifica toda a fama alcançada.
O impactante início da suíte 2112 não se sustenta ao longo de suas sete partes, inclusive a banda protagoniza momentos constrangedores nas partes III, IV e V onde ficam evidentes as falhas na composição com acompanhamentos pouco mais que pífios, enfim, mais uma vez o Rush demonstra sua pouca habilidade para compor longas suítes, os vocais de Lee seguem ácidos acima do que a música requer e definitivamente a banda não se encontra até o final.
Já na sequencia a coisa muda totalmente, com exceção de Lessons, a única realmente descartável, todas as outras quatro são espetaculares, desde as mais nervosas como Passage to Bangkok, The Twilight Zone e Something For Nothing até a inspiradíssima balada Tears a banda mostra sua verdadeira aptidão, temas mais curtos e diretos com solos rápidos e impactantes, cheios de efeitos.Aqui sim os músicos parecem integrados e suas interpretações casam perfeitamente, inclusive os vocais de Lee.
De qualquer forma, apesar do sucesso comercial, encontro o trabalho um passo atrás de seu antecessor.
Revisto por Gibran Felippe em 19/12/07 Nota: 6.0

 

Gostei, mas poderia ser melhor

Este álbum é considerado como a passagem do Rush para a maturidade musical, o quarto em sua cronologia e foi responsável por alçar a banda ao panteão dos medalhões dos anos 70. É interessante que o Rush começou a ser lembrada como uma banda de contexto progressivo após a edição dessa obra, isso deixa claro que se fazia interessante essa associação para possibilitar ares de qualidade à sonoridade do grupo ou um certo diferencial com relação às demais bandas de hard rock da época. Só mesmo entendendo dessa forma, porque no "2112" encontramos muito pouco de rock progressivo, o que não desmerece em momento algum o trabalho do power trio canadense. A rigor, podemos até imaginar algo como hard progressivo, tão em voga nos anos setenta, capitaneado por medalhões como Uriah Heep e Deep Purple, porém, bem mais hard e bem menos progressivo que as duas citadas, se levarmos em consideração seus primeiros trabalhos.

O fato de possuir uma música de 20 min., um mellotron incidental em "Tears" e temas altamente viajantes, ligados à ficção científica, ao espaço e a aspectos extra sensoriais podem ter causado essa associação ao rock progressivo, mas ora, o som do grupo está registrado em "2112" pra todos ouvirem e sinceramente, trata-se de um baita hard em sua concepção. Acho equivocada a idéia de apresentar "2112" como um álbum essencialmente de rock progressivo, prefiro citá-lo como hard setentista, pois dessa forma alguém que esteja correndo atrás de algo progressivo não vai se decepcionar ao ouvir a sonoridade do Rush. Quando ouvi a banda pela primeira vez fiquei decepcionado, porque imaginava algo como Yes, Genesis, King Crimson, Gentle Giant ou Jethro Tull e realmente não temos nada disso na maioria de suas músicas. Vou mais além, também não consigo enxergar o Rush como o embrião do prog-metal, apesar disso ser apregoado desde que surgiu o Dream Theater. Na minha visão, o prog-metal se intimida mais com as bandas de heavy melódico que iriam aparecer no cenário do fim dos anos 70 e na década de 80, tipo Helloween, Royal Hunt, Kiss e até mesmo o Metallica, inclusive com a variação sonora do Uriah Heep que abandonou nesses anos a linha hard progressiva dos anos 70 para a entrada no universo mais hard-metal dos anos 80, o que na minha opinião foi pra bem pior, assim como o Scorpions e tantas outras desse contexto.

Voltando ao "2112" e ao Rush, é fácil apontá-lo como o melhor álbum da fase inicial do grupo, os anteriores não possuem tantos atrativos, são menos ambiciosos e serviram para apresentar mais uma banda de hard ao planeta. Assim como tantas outras, mais um filho do Led e do Black Sabbath, porém no "2112" as atenções foram mais intensas, pois acabava de surgir uma obra realmente consistente do Rush, uma obra que não se apoiava apenas em riffs, que não se apoiava apenas em altas guitarras e bateria pesada e sim músicas com mais variações, com quebradas de ritmo, com mais violões e com um Geddy Lee altamente inspirado no baixo e até mesmo com mais melodia nos vocais.

Considero Geddy Lee a figura mais emblemática da banda, pois para mim é justamente nele que reside o ponto alto e o ponto baixo do grupo: sem dúvida um dos melhores baixistas de rock que a Terra já teve e sem dúvida um dos piores vocalistas. É muito difícil se acostumar com os seus vocais, principalmente com os insistentes gritos, com o timbre extremamente fino, não tenho dúvidas que se um Ozzy ou um Coverdale fossem os vocalistas do Rush eu poderia ter gostado um pouco mais da banda. E o mais interessante é que quando Geddy Lee apenas canta, o negócio não fica ruim, basta ouvir as partes mais lentas do grupo ou as baladas, duro é quando o grupo emenda num bom hard e ele "solta" a voz. O som fica legal e os vocais descem ladeira abaixo. Ainda bem que ele toca muito pra compensar.

O Alex Lifeson faz a sua parte muito bem no "2112", e o Peart também contribui bastante com as letras e a sua bateria inconfundível. Porém, para despeito de muitos amantes do Rush considero o Peart um baterista comum, muito longe de nomes como Carl Palmer, Bill Brufford, Aynsley Dubar, Pierre Van Der Lindem, etc. Acho a sua linha marcante, porém básica, usando mais de força e agilidade. Não percebo no Neil Peart as variações e seqüências que notamos nos que citei anteriormente, é tipicamente um baterista de hard, um filho do Ian Paice e um pai para a maioria dos bateristas de heavy que surgiram depois. A diferença para os outros bateristas que citei e poderia colocar também o Phill Collins é que as suas linhas eram extremamente criativas, fazendo com que esse instrumento que antes era tido apenas como acompanhamento de luxo passasse a ser algo de fundamental, algo a ser notado, lembrado e reverenciado e mais, que não precisa esmurrar a bateria pra não ficar desapercebido, muito ao contrário, a categoria e sutileza sempre falam mais alto. Já o Peart mesmo com a sua grande agilidade e força, para mim nunca passou de um bom acompanhante, se colocássemos outro baterista de bom nível em seu lugar, o Rush continuaria sendo o Rush, agora difícil é pensar nessa hipótese quando lembramos de bateras como o Carl Palmer do ELP, do Brufford do Yes e de todos os outros grupos por que passou, do Collins do Genesis fase Gabriel, e por aí afora. Esses foram insubstituíveis e incomparáveis, já se pegarmos qualquer baterista do Iron Maiden e o Peart, sinceramente não noto grandes diferenças.

A primeira música do "2112" é a famosa suíte de mesmo nome, com temas de ficção científica que estavam em voga no ano de 76, começa de forma magistral com uma seqüência de tirar o fôlego e culmina com os vocais do Geddy Lee que caem mal toda a vida, é preciso se acostumar ou ser muito fã do grupo. A melhor seqüência para mim é a denominada "Presentation" em que possui uma quebrada no ritmo com um violão muito bonito, se contrapondo ao momento de peso anterior. Mas, perdoem-me os admiradores do grupo, isso é muito pouco para sustentar uma composição de vinte minutos, na maior parte do tempo soa repetitiva em demasia e acaba por ficar enfadonha, se arrastando até o fim. Acho que o Rush ainda não estava devidamente preparado para apresentar uma suíte dessa proporção, porque a mesma está muito aquém de grande parte das suítes feitas nos anos setenta por bandas da mesma envergadura do Rush, mas muito aquém mesmo! A rigor, o que era pra ser o melhor momento dessa obra, a suíte "2112", para mim foi o pior, principalmente porque Geddy Lee insiste em cantar feito uma gralha na maior parte do tempo. O que considero bom nesse disco vem na sequência, ou seja, as composições de menor duração.

Dessa forma, a sequência de músicas do álbum já possuem fórmulas bem definidas, não trazendo nada de novo, apenas uma evolução natural do grupo, fato extremamente positivo, com destaque para as clássicas "A Passage to Bangkok" e "The Twilight Zone", verdadeiros hits do Rush. E volto a repetir, o baixo do Geddy Lee é um absurdo, o que ele faz nessas duas músicas é sensacional.

"Lessons" e "Something For Nothing" são típicas músicas hard sem nada de mais interessante e "Tears" é a música que mais gosto no cd, pois tudo fica legal, os vocais, os violões, o baixo e o mellotron, funciona também como um anti-clímax para o fulgor das outras músicas, pois nem as fortes baquetas do Peart aparecem.

Acredito que se esse álbum tivesse um pouco mais de teclados seria muito mais atraente, até mesmo para o público hard que não faz muita questão disso, pois às vezes torna-se um pouco repetitivo, por conta dos arranjos serem muitos simples e básicos para um grupo intitulado como representante máximo do rock progressivo. Essa é a diferença básica para outro power trio da época que atendia pelo nome de ELP, ou até mesmo para o Uriah Heep que possuía arranjos fantásticos em várias de suas músicas e porque não o próprio Black Sabbath de composições como "War Pigs", "Iron Man", "Balck Sabbath", "N.I.B.", "Eletric Funeral"...

Muitos consideram Rush sendo influenciado pelo ELP, Genesis e Yes, já li isso em várias resenhas e sinceramente não entendo bem porque apontam esse fato, para mim as suas principais influências foram mesmo o Black Sabbath e o Led Zeppelin.

Sempre tive um pé atrás com o Rush, desde quando li num jornal de grande circulação nos anos oitenta que essa era a maior bande de rock progressivo de todos os tempos e quando fui conhecer a sonoridade do grupo, bem... de qualquer forma reconheço a grande qualidade dos seus músicos, apenas digo que a sonoridade da banda não é lá muito a minha praia, por isso, à exceção do "Hemispheres", as suas outras obras e inclusive "2112" prefiro espiar timidamente através de uma rótula de janela.

É importante ressaltar que nutro um profundo respeito pelo grupo, pois na minha visão acredito que é ao lado do Led Zeppelin e do Pink Floyd a banda de rock mais bem sucedida em vendas pós Beatles e Rolling Stones.
Isso é verdadeiramente admirável em se tratando de música honesta, que não é concebida apenas para vender, que não faz parte do universo pop a la Michael Jackson e Madona, mas jamais a recomendaria para alguém que curte rock progressivo na essência, apenas para os que possuem um ou os dois pés no hard rock ou também do metal categórico a la Iron Maiden, Savatage ou Judas Priest.
Revisto por Amyr Cantusio Jr em 14/02/07 Nota: 9.0

 

Extremamente bom, um clássico ro rock progressivo

Em pleno ápice da época lisérgica-espacial, onde Pink Floyd fazia estrondoso sucesso com seu show Eclipse e o derradeiro álbum Dark Side of The Moon, o Rush lançaria a epopéia chamada 2112.

Quando o baterista Neil Peart assumiu as baquetas a partir do segundo álbum do grupo, ele também ficou responsável pelas letras e temas que vão da metafísica à ficção científica, como é o caso deste disco. A OVERTURE 2112( a faixa de abertura do LP) é simplesmente um marco para a época, onde um sintetizador abre com efeitos de osciladores de onda a música.

A seguir vem a quebradeira, muito bem ensaiada pela banda, que aqui está no apogeu da técnica, virtuosismo e criatividade. Este CD é pra mim o marco central da obra deste Power Trio canadense.

Geddy Lee é o responsável pelos teclados, synths , pedaleiras Taurus de baixo, baixo e vocais! Um grande músico!
Alex Lifeson por sua vez é um dos mais versáteis e ecléticos guitarristas dos anos 70, e ainda toca também teclados e pedaleira de baixo Taurus, famosa neste período em bandas como Gênesis, Yes, Van Der Graaf Generator e Tangerine Dream pelo seu som pesado, constante e profundo.

Aliás este disco é tão maravilhoso de cabo a rabo que não dá pra destacar faixas....é uma peça só!
Além do mais foi o primeiro disco do Rush a bater recorde de vendas ganhando o Disco de Platina!

Muito mais que merecido. Uma obra prima do rock, que jamais voltaremos a ouvir desta fórma novamente, a não ser nos inestimáveis registros fonográficos.
Confira!
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